quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Democracia

Democracia

questão do papel do indivíduo na sociedade (nomeadamente, em termos de cidadania, de participação na vida política), perante essa incerteza pessoal, por um lado e os moldes em que a democracia se apresenta e a interferência crescente dos mais media, por outro... (pessoalmente, entendo que é utópico pensar que votamos em alguém que nos represente, a nós, individualmente - somos todos tão diferentes, teríamos de ser representantes de nós mesmos - então votamos em quem represente algumas idéias gerais com que generalizadamente nos identificamos, mas concordo com Sartre sobre a possibilidade da sobre-informação, (discursos, media, etc, os moldes em que surge) poder toldar-nos, confundir-nos, afastar-nos até...)

Em épocas de eleições, muito se ouve falar sobre a importância de exercermos nosso direito e dever como cidadãos de votar. Mas será que nossa participação política e esse nosso exercício de cidadania se restringe a depositar de quatro em quatro anos nossos votos na urna, e escolher o candidato “menos pior” entre os disponíveis num cardápio já pronto (e do qual não tivemos participação na elaboração)? Creio que esse cenário de participação política que a democracia representativa possibilita é muito triste e afasta do cidadão a possibilidade de tomada de decisões sobre questões realmente importantes. Afinal, escolher quem vai decidir no nosso lugar não é ter poder de decisão, é o contrário disso; principalmente, se não temos a garantia de que esse representante decidirá o que decidiríamos (e na maioria das vezes não decide).
Portanto, criar o mito que o problema democrático é o de escolher bons políticos (ou o “menos pior”, afinal, em algumas eleições nenhum pode ser considerado bom) é responsabilizar o cidadão-eleitor pelas mazelas sofridas pela sociedade. Ou seja, a sociedade anda mal porque os cidadãos não sabem escolher e elegem maus políticos. De vítima o cidadão vira culpado, o responsável pelas falhas do sistema democrático representativo. Mas o que a maioria de nós não percebe é que é o próprio modelo de democracia representativa que é débil e precisa ser urgentemente substituído. O que precisamos eleger (e exigir) é um novo modelo de democracia, não novos políticos e representantes. Mas qual?
Bem, antes de qualquer coisa, cabe ressaltar que essa discussão que estou puxando já parte do pressuposto que o melhor modelo ou o modelo quase unânime a ser aplicado numa sociedade é a democracia, portanto, caberia escolher qual o modelo democrático mais consistente. Afinal, a democracia é uma proposta heterogênea e existem várias formas de concebê-la, vários modelos em disputa, apesar do modelo representativo ser o que atualmente é mais adotado na maior parte do mundo democrático. É claro que essa hegemonia da democracia representativa não se deu historicamente de forma tão “democrática”, mas foi imposta às sociedades por relações políticas nem sempre pacíficas.

domingo, 11 de abril de 2010