Democracia
questão do papel do indivíduo na sociedade (nomeadamente, em termos de cidadania, de participação na vida política), perante essa incerteza pessoal, por um lado e os moldes em que a democracia se apresenta e a interferência crescente dos mais media, por outro... (pessoalmente, entendo que é utópico pensar que votamos em alguém que nos represente, a nós, individualmente - somos todos tão diferentes, teríamos de ser representantes de nós mesmos - então votamos em quem represente algumas idéias gerais com que generalizadamente nos identificamos, mas concordo com Sartre sobre a possibilidade da sobre-informação, (discursos, media, etc, os moldes em que surge) poder toldar-nos, confundir-nos, afastar-nos até...)
Em épocas de eleições, muito se ouve falar sobre a importância de exercermos nosso direito e dever como cidadãos de votar. Mas será que nossa participação política e esse nosso exercício de cidadania se restringe a depositar de quatro em quatro anos nossos votos na urna, e escolher o candidato “menos pior” entre os disponíveis num cardápio já pronto (e do qual não tivemos participação na elaboração)? Creio que esse cenário de participação política que a democracia representativa possibilita é muito triste e afasta do cidadão a possibilidade de tomada de decisões sobre questões realmente importantes. Afinal, escolher quem vai decidir no nosso lugar não é ter poder de decisão, é o contrário disso; principalmente, se não temos a garantia de que esse representante decidirá o que decidiríamos (e na maioria das vezes não decide).
Portanto, criar o mito que o problema democrático é o de escolher bons políticos (ou o “menos pior”, afinal, em algumas eleições nenhum pode ser considerado bom) é responsabilizar o cidadão-eleitor pelas mazelas sofridas pela sociedade. Ou seja, a sociedade anda mal porque os cidadãos não sabem escolher e elegem maus políticos. De vítima o cidadão vira culpado, o responsável pelas falhas do sistema democrático representativo. Mas o que a maioria de nós não percebe é que é o próprio modelo de democracia representativa que é débil e precisa ser urgentemente substituído. O que precisamos eleger (e exigir) é um novo modelo de democracia, não novos políticos e representantes. Mas qual?
Bem, antes de qualquer coisa, cabe ressaltar que essa discussão que estou puxando já parte do pressuposto que o melhor modelo ou o modelo quase unânime a ser aplicado numa sociedade é a democracia, portanto, caberia escolher qual o modelo democrático mais consistente. Afinal, a democracia é uma proposta heterogênea e existem várias formas de concebê-la, vários modelos em disputa, apesar do modelo representativo ser o que atualmente é mais adotado na maior parte do mundo democrático. É claro que essa hegemonia da democracia representativa não se deu historicamente de forma tão “democrática”, mas foi imposta às sociedades por relações políticas nem sempre pacíficas.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
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